casadesistelo

  "Um mundo de primária beleza, de inviolada intimidade..." (Miguel Torga)

 

A envolvente

Os informes mais antigos de que há registo, são as notas sobre a freguesia de Cabreiro das Inquirições de 1258 que consideravam Sistelo uma “póvoa”, pequena povoação ou casal, doada à Ordem do Hospital, ou Ordem dos Hospitalários. As propriedades do termo de Sistelo por pertencerem àquela ordem militar estavam isentos do pagamento de fossadeira, mas sujeitos à anúduva e à cobertura da fronteira, guardando o“Porto do Couso”, que se situaria provavelmente na confluência do rio Sistelo e a ribeira de Cabreiro, perto do marco geodésico do Couço. A freguesia de Sistelo, localiza-se a norte do concelho de Arcos de Valdevez em plena serra da Peneda, junto à nascente do Rio Vez. Faz parte do território natural do Parque Nacional Peneda - Gerês. Distando 20 km da sede do município acede-se à aldeia pela EN 202/2, que liga Arcos - Merufe -Monção. S. João Batista é o padroeiro da freguesia, tendo a sua festa anual em 24 de Junho. Além desta ainda se realizam festas em honra da Senhor dos Aflitos, a 15 de Agosto, Santo António, em Setembro, Senhora de Fátima, a 12 de Outubro e S. Sebastião. O património histórico, religioso e rural sistelense é muito interessante, sendo de destacar: O “Castelo” que foi residência do Visconde de Sistelo, trata-se de um conjunto monumental, estrutura em alvenaria e cantaria de granito, parcialmente rebocada, destacando-se na pequena aldeia e na paisagem, de gosto revivalista, possuindo duas fachadas imponentes, a principal de gosto clássico e a posterior, para uso privado, de maior aparato, com dois corpos torreados, com características da arquitectura militar medieval, onde se destacam os ressaltos dos muros e os merlões. Mantém alguns anexos agrícolas, como a eira, os tanques e o espigueiro, havendo vestígios da primitiva vinha, em socalcos e, junto à fachada principal, em latada. O interior encontra-se inacabado, revelando, contudo, uma estrutura típica das habitações citadinas do final do séc. 19, com acesso por corredor central, que liga às várias dependências. Pedra de armas com escudo partido em pala, onde surgem dois leões, das armas dos Gonçalves; é encimado por elmo e envolvido por paquife, tendo, na diferença, uma brica de azul carregada com uma estrela de ouro de 5 pontas . A ponte romana, de granito com tabuleiro ligeiramente inclinado em cavalete, Assente em dois arcos de volta perfeita, um deles é muito maior que o outro e, junto ao tabuleiro, um moinho mandado construir pelo Visconde de Sistelo A ponte de Sistelo de Jusante, da segunda metade do século XVIV, mandada construir por Manuel A. Gonçalves Roque, 1º Visconde de Sistelo, com tabuleiro horizontal, pavimentado a calçada, sobre dois arcos de volta perfeita. A Igreja de São João Baptista, ou igreja paroquial, com uma lindíssima e moderna Via Sacra. A Ermida de Nossa Senhora dos Aflitos, uma ermida de caminho, do século XIX, de linhas austeras, com as cornijas das empenas a terminar antes dos pináculos que coroam os cunhais apilastrados, conservando porta de duas folhas com a típica decoração neoclássica e, no interior, tectos formando caixotões pintados e retábulo de talha policroma também neoclássica. Capela de Santo António. Capela de São João Evangelista. Capela da Senhora do Carmo. Capela da Senhora dos Remédios. Chafariz, composto por pilar quadrangular, decorado, em todas as faces, por motivos cónicos e em ponta de diamante, inscritos em almofadas côncavas quadrangulares, terminado em cornija sobrepujada por urna, e por tanque octogonal, exteriormente decorado por almofadas rectangulares e com rebordo saliente. Estrutura em cantaria, réguas e torneiras de ferro forjado. Cruzeiro, de encruzilhada, com pedestal paralelepipédico, monolítico, cruz latina, alta, monolítica, quadrangular, ornada, em todas as faces por circunferências e pontas de diamante, inscritas em almofadas côncavas quadrangulares, tendo no cruzamento dos braços motivo raiado. Estrutura em granito; gradeamento em ferro forjado. Alminhas de carácter vernacular, formadas por nicho, de arco abatido encimado por cornija, assente em pilastras, e laje inferior com orifício para a caixa de esmolas. Estrutura em cantaria com porta de ferro forjado. Jazigo do Visconde de Sistelo, jazigo do século XIX, de planta longitudinal e cobertura pétrea de duas águas. Fachada principal enquadrada por pilares octogonais rematados em agulha, e terminada em empena muito aguda, moldurada e decorada com motivos geométricos, com portal de arco quebrado assente em pilastras octogonais, encimado por cartela inscrita e pedra de armas. Interior compartimentado por 16 espaços sepulcrais. O casario rústico e os típicos espigueiros. As brandas de Rio Covo, em Sistelo, do Alhal, no Padrão, e da Cerradinha, espaços de uso sazonal que serviam de apoio à pastorícia e eram utilizados na época estival em oposição às inverneiras tradicionalmente de cariz mais permanente. A Chã do Couço e a Chã da Armada, magnífico miradouro de onde se observa toda a espectacularidade da belíssima paisagem que nos rodeia. De entre o colorido verde dos campos destaca-se o lugar de Padrão, como que suspenso na íngreme encosta da montanha e que mantém a traça típica e tradicional das aldeias do Minho, com os seus peculiares campos agrícolas, num espectacular enquadramento em socalcos que vão conquistando pequenos pedaços de terra arável à imponente montanha que o rodeia e onde se cultiva milho e se produz feno para o gado bovino das raças barrosã e cachena. Estes socalcos ocupam toda a encosta que se dispõe em anfiteatro e são o cartão de visita destas paragens. A paisagem de Sistelo é garantidamente uma das mais espectaculares do Minho e de Portugal e é candidata a Património da Humanidade. O artesanato baseia-se essencialmente em artigos de lã, meias redondas e aventais.
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